O teu sorriso. Deve ter sido isso.

Recordo sem qualquer esforço todos os momentos que me levaram até àquele em que soube que te queria. Em todos eles, estavas a sorrir. Nem sempre para mim, nem sempre por causa de mim, mas lá estavas tu, a sorrir a cada vez que dei por mim embasbacada a olhar para ti. Em alguns momentos procuro na memória o teu sorriso como remédio. Os anos que já passaram fizerem-me à memória dano, a perda de particularidades tuas que o tempo fez desvanecer em mim, mas nunca o teu sorriso. Mantenho-o intacto. O teu sorriso. Deve ter sido isso.

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É preciso ser-se generoso para amar alguém.

Como disse Sartre um dia, é preciso ser-se generoso para amar alguém. Acho que a generosidade se perdeu, foi-se desgastando ao longo dos tempos. Conheço poucas pessoas generosas, das que dão sem esperar nada em troca. Porque sim, porque a certo tempo todos temos a necessidade de cobrar. Não devíamos.
E, depois chegamos àqueles momentos, em que estamos perdidos nos detalhes que a nossa memória tem o condão maquiavélico de nos obrigar a recuperar de vez em quando, que nos colocamos em causa. Colocamos o Amor em causa. E o Amor não deveria ser posto à prova. Quando isso acontece, tristemente, na maioria das vezes o Amor acovarda-se, é prepotente e brutal, como o acusou Shakespeare.
E quando o amor se torna prepotente e nós, por teimosia, o queremos manter amor ficamos com o amor próprio doente. É difícil curarmos o amor próprio. Medicamos o amor próprio, tapamos as feridas com pensos, fingimos que ele está bom, que a febre desceu. A seu tempo ele nem tem marcas de doença, julgamos. Mas a cura dura só até o amor voltar a ser brutal e prepotente, até ser posto outra vez à prova, e falhar novamente. E ver o amor falhar é das coisas que mais custa. Quando o amor se acovarda, a memória nos obriga a recordar detalhes, e o amor próprio fica doente não nos restam muitas opções. Ou escolhemos voltar a usar os medicamentos, os pensos e a esperar que a febre desça ou optamos por nunca mais voltar a pôr o amor à prova, para não o vermos falhar e não termos que tomar nós uma decisão prepotente ou brutal, daquelas que vemos o amor tomar. E decidi a meio deste texto que o Amor passou para amor. Afinal, é mesmo assim que se escreve, quando não é ele quem começa uma frase.

O peso das palavras

150628642563512.jpgDepois de atiradas, não podem ser retiradas. Ficam para sempre ali, carrascas, a pairar no ar. A fazer peso nas palavras seguintes. As palavras são como balas, quando não matam ferem de raspão. Mas ferem, como golpes de punhal. Por isso, é preciso escolher as palavras, mesmo nos momentos mais agitados, nos de raiva, nos de acusação, as palavras não medidas não voltam atrás. Nem que se tente pelo resto da vida.

Não ter o que queremos hoje pode ser uma bênção amanhã

iwdfkldjwklfjwdi.jpgTodos nós temos a inevitável tendência inconsciente de criarmos expectativas em relação a momentos, pessoas, tempos, datas. Por vezes, e só o saberemos mais tarde, não termos o que queremos na altura em que o desejamos pode ser um rasgo de sorte. Uma forma de nos resgatarmos de nós mesmos. Um princípio triste, acusam vocês. Temos tanto a tendência em criamos cenários perfeitos e atirarmos-nos de cabeça que muitas vezes nos esquecemos, por egoísmo confesso, em saber precisar se é o que efectivamente nos serve. Não para hoje, mas para os tempos vindouros. Muitas vezes, não termos o que queremos é um grande golpe de sorte. Hoje não terei o que quero, bem sei. Dói. Custa-me. Corrói-me por dentro. Acredito que no futuro não ter tido o que quero hoje me resgatará de um futuro que não me fará sentir eu. Um que não quero. Um oco, vazio, frio, escuro. Hoje resta-me aceitar que não tenho o que quero enquanto o tempo não me mostrar o que preciso. Hoje não estou feliz, quem sabe amanhã? A linha que separa o que queremos do que precisamos é ténue. Uma armadilha. Amanhã saberemos. Hoje resigno-me a saber que não tenho o que quero, mas só por agora. Hoje não sou feliz. Amanhã serei, é a minha responsabilidade. Amanhã o sol rasgará a madrugada cinzenta, amanhã sorrirei. Hoje choro. Hoje construo-me para um amanhã solarengo. Hoje abdico do que acho que mereço para amanhã o ir agarrar, sozinha, por mim. Hoje termina hoje. Amanhã logo se vê. Hoje, pelo dia de hoje, fecho um ciclo. Hoje, aplaudo-me por ter chegado aqui, tão forte, tão eu, tão humana. Amanhã traço um novo caminho. Hoje sou carrasca de mim mesma, amanhã serei inspiração. Hoje, fico por aqui, a contemplar o que podia ter sido. Amanhã, faço-o. Sem saudade, sem ilusões. Amanhã resgato-me. Amanhã eu sou eu. Amanhã o sol rasgará a noite com mais facilidade. Não há noite negra que não acabe. Amanhã escolho ser dia. Hoje sofro na penumbra. Amanhã. Só quero que chegue amanhã. Amanhã eu sou eu. Hoje escolho-me, porque não me escolheste. Hoje tomo as rédeas da minha essência. Hoje eu sou eu. Hoje abandono ilusões. Hoje começo a escolher por mim. Hoje.  Amanhã? não sei onde estarás. Sei onde onde vou estar. Até amanhã. Nada mais, até amanhã.

Cai o Côco

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É verdade, rendi-me ao benefícios do côco. Ultrapassei a preguiça de os partir, acreditem que não é tão fácil assim se quisermos aproveitar a água, e agora tenho-os sempre em casa. (basicamente atiro-os com força ao chão de pedra que me ladeia a casa)Como côco como se fosse sobremesa ou snack entre refeições e já comecei a ver alterações na minha pele e cabelos. Para além disto, é sabido que esta fruta é super-hidratante e uma forma natural de prolongar o bronzeado.

Da efeméride do Dia da Mulher

No ano de 1857, exactamente a oito de Março, as operárias de uma fábrica de têxteis, em Nova Iorque, entravam em greve, reinvindicando pela redução do seu horário de trabalho, de 16 para 10 horas diárias, uma vez que mesmo trabalhando as mesmas horas que os homens, recebiam apenas um terço do salário. Como resposta à queixa foram fechadas na fábrica, e 130 mulheres morreram queimadas num incêndio “acidental”.

Na sua grande maioria, as mulheres continuam a ganhar menos, muito menos, que os homens, mesmo que nas mesmas tarefas, com as mesmas responsabilidades e horários. Esta data só faz sentido enquanto continuar a existir diferença de género, salarial, de direitos humanos, de liberdade, do que for. Esta efeméride serve para pensar, para lembrar, para agradecer às mulheres que lutaram no passado pelos mulheres que podemos ser hoje. E gostava mesmo muito de ainda poder ter tempo de viver num mundo onde esta efeméride não faça nenhum sentido.

E não, como mulher e não mulherzinha, neste dia não recebo nem flores nem jantares fora.