Outono revisitado

É Outono. E nada daquilo que imaginei um dia aconteceu entretanto. Passaram as estações das flores, as das noites quentes e agora as folhas caem. Enchem o chão de memórias sem vida.As árvores estão despidas e é nua que me sinto. As noites continuam enormes e os dias, imperfeitos como um poema inacabado, e só o frio me poderá agora consolar ao me dar um motivo válido para a recolha entre paredes e o excesso de música antiga. Está frio e não te tenho como agasalho. É Outono e tu não estás. O chão está coberto de folhas que lutam por matizar cores antes de deixarem de existir. É Outono e tu não estás. Vou ao arrepio dos humores da cidade volátil e egoísta, esta cidade que me fere com o cheiro doce das castanhas e me enterra no corpo a vontade afiada de polegares farruscados de cinza e de letras de jornal. Mudo as músicas no IPhone na esperança de uma renascença mas o Outono suspira-me sempre recordação. É Outono e afinal tu não estás. O autocarro move-se lento e caprichoso pela rua e eu pareço ser sempre a sua última paragem. É Outono e tu nunca estás. Sou sempre a última paragem. É Outono e não sei em que estação te teria. Sei que é Outono e que nunca te tenho. É Outono e tu não estás.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s