“andas com a noite na alma”

O meu pai não cresceu em Portugal. Não criou até adulto qualquer ligação com as heranças de pátria como o futebol e o fado, entre outras. Para ele o futebol exige fanatismo e o fado peso e tragédia no peito. Não sendo português e vendo o pesar de tudo o que lhe chegava de sentimentos do país dos seus pais, como a palavra saudade, fez-me crescer a querer diferente. Cresci a ouvir os Creedence e os Beatles e a acreditar que o fado, destino, está nas minhas mãos e não escrito na minha sina à nascença. Não sei se o meu pai tem razão, mas ontem, num jantar com amigos numa casa de fados, entre as conversas e risadas, a fadista cantava “andas com a noite na alma” e “não queiras gostar da vida que ela não gosta de ti“. E é este o “fado” que possivelmente o meu pai não me quis ver crescer como banda sonora. Talvez me queira ter visto crescer a acreditar nos Creedence que cantam:  “Someone told me long ago There’s a calm before the storm, know; It’s been comin’ for some time. When it’s over, so they say, It’ll rain a sunny day, I know; Shinin’ down like water“. Prefiro os Creedence.


P.S. Este post tem uns anos, publiquei-o num blogue antigo. Hoje lembrei-me dele. 

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