Não ter o que queremos hoje pode ser uma bênção amanhã

iwdfkldjwklfjwdi.jpgTodos nós temos a inevitável tendência inconsciente de criarmos expectativas em relação a momentos, pessoas, tempos, datas. Por vezes, e só o saberemos mais tarde, não termos o que queremos na altura em que o desejamos pode ser um rasgo de sorte. Uma forma de nos resgatarmos de nós mesmos. Um princípio triste, acusam vocês. Temos tanto a tendência em criamos cenários perfeitos e atirarmos-nos de cabeça que muitas vezes nos esquecemos, por egoísmo confesso, em saber precisar se é o que efectivamente nos serve. Não para hoje, mas para os tempos vindouros. Muitas vezes, não termos o que queremos é um grande golpe de sorte. Hoje não terei o que quero, bem sei. Dói. Custa-me. Corrói-me por dentro. Acredito que no futuro não ter tido o que quero hoje me resgatará de um futuro que não me fará sentir eu. Um que não quero. Um oco, vazio, frio, escuro. Hoje resta-me aceitar que não tenho o que quero enquanto o tempo não me mostrar o que preciso. Hoje não estou feliz, quem sabe amanhã? A linha que separa o que queremos do que precisamos é ténue. Uma armadilha. Amanhã saberemos. Hoje resigno-me a saber que não tenho o que quero, mas só por agora. Hoje não sou feliz. Amanhã serei, é a minha responsabilidade. Amanhã o sol rasgará a madrugada cinzenta, amanhã sorrirei. Hoje choro. Hoje construo-me para um amanhã solarengo. Hoje abdico do que acho que mereço para amanhã o ir agarrar, sozinha, por mim. Hoje termina hoje. Amanhã logo se vê. Hoje, pelo dia de hoje, fecho um ciclo. Hoje, aplaudo-me por ter chegado aqui, tão forte, tão eu, tão humana. Amanhã traço um novo caminho. Hoje sou carrasca de mim mesma, amanhã serei inspiração. Hoje, fico por aqui, a contemplar o que podia ter sido. Amanhã, faço-o. Sem saudade, sem ilusões. Amanhã resgato-me. Amanhã eu sou eu. Amanhã o sol rasgará a noite com mais facilidade. Não há noite negra que não acabe. Amanhã escolho ser dia. Hoje sofro na penumbra. Amanhã. Só quero que chegue amanhã. Amanhã eu sou eu. Hoje escolho-me, porque não me escolheste. Hoje tomo as rédeas da minha essência. Hoje eu sou eu. Hoje abandono ilusões. Hoje começo a escolher por mim. Hoje.  Amanhã? não sei onde estarás. Sei onde onde vou estar. Até amanhã. Nada mais, até amanhã.

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