Aida, de Giuseppe Verdi, no Mariinsky

Ir à Rússia e não ir a uma ópera é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. O Mariinsky Theatre é dos mais emblemáticos de São Petersburgo e apesar do espectáculo ser muuuiitttoo longo (são 4 actos), toda a envolvência do espaço  e do ambiente fizeram com que fosse uma experiência única. (Ah, e pude finalmente usar aqueles binóculos catitas que se vêem nos filmes). IMG_0948IMG_1004

Teatro Bolshoi – Moscovo

FullSizeRenderFullSizeRender_1FullSizeRender_2FullSizeRender_3IMG_0215Abriu portas em 1825 para ser uma sala a receber espectáculos de ópera e ballet. O principal de Moscovo, e arrisco dizer o mais bonito da Rússia, é soberbo. Quando vazio, como no dia em que lá estive, esmaga pela acústica dos pequenos sons que se ouviam pelos pouco presentes que preparavam o palco para o espectáculo que aconteceria nas horas seguintes. A guia ia contando a história das salas, uma a uma, com um orgulho enorme. Numa das salas a prima ballerina ensaiava com a professora (japonesa, creio) e a angústia estava-lhe estampada no rosto. Dor. Era dor, aquela que não permite que vejamos quando há público. No andar de cima uma sala de costura onde fazem apenas as roupas usadas pelas primas e secondas ballerinas. Uma sala enorme cheia de manequins e tule, onde 12 mulheres à mão e com a perfeição que os materiais nobres exigem, criam fatos de encantar. Saí de lá a levitar.

Um dia dou ao volta ao mundo! Hoje vou à Rússia.

viagens mundo mapa decoDe 05 a 13 vou conhecer a Rússia. Uns dias em Moscovo e outros em São Petersburgo. Nesta última vou ter como guia o Maestro Rui Massena. (ouvi o último álbum dele, Ensemble, à pressa para não fazer muito má figura).

Sempre gostei mais de viagens para cidade que para praia, mas nos últimos anis a Ásia tem-me conquistado, vezes seguidas. Já estava com vontade de fazer uma viagem mais para longe que os vizinhos europeus e a Rússia sempre me causou um certo fascínio. Apesar da viagem estar mais ou menos toda planeada, se tiverem sugestões ou dicas, deixem na caixa de comentários.

Miss snob em hora de ponta

Se vamos viajar com o maestro acho que seria gentil, pelo menos, ouvires o último álbum dele. Eu empresto-te o meu, já o comprei, antes que te vás armar em pirata e sacar da Internet“, disse-me com ar tanto paternal quanto autoritário. A saber, não tenho um intelecto desenvolvido ao ponto de saber retirar prazer em ouvir música clássica. Percebo a beleza mas mexe-me com os nervos. Ficam em franja aos acordes que se repetem musica a música. “É que numa das noites em São Petersburgo ele vai dar um mini concerto para nós, era de bom tom saberes pelo menos o nome de uma ou outra música do novo cd“, afiançava ao dar conta da minha tentativa de escape. “Vá ouves uma vez ou outra no trânsito“, convenceu-me. Aviso assim que se derem conta de uma miúda com ar enfadado presa no trânsito do IC19 ou 2 Circular a fumar cigarros seguidos ao som de  plins tlins de piano sou eu. Se vos irritar muito batam-me (na traseira que já tenho lá umas mossas para arranjar). Capa-EnsemblePs. Gosto muito do Rui Massena, como pessoa mas tenho ouvido duro (burro) para o género musical. Mea Culpa.

Sou um bicho estranho. Ou talvez não…

Em Junho vou assistir à minha primeira ópera, em S. Petersburgo. Aída, di Verdi. Não faço ideia do que vou vestir mas o livro de preparação já começou a ser lido. Acredito cada vez mais que as experiências deste género, para leigos como eu, devem ser preparadas de forma a que possamos levar o mínimo de conhecimento, irmos com uma predisposição já aguçada com alguma bagagem de conhecimento, ainda que superficial face a uma arte tão elaborada. (ou então não aprendo nada mas levo umas frases cliché para atirar no intervalo  e dar uma de intelectual à rasca) 

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